Benezinho – Benedito Alves Bandeira – Tomé-Açú

Mais conhecido como Benezinho, o dirigente sindical Benedito Alves Bandeira era natural do município de Nova Timboteua, no estado do Pará. Integrante das CEBs, nos efervescentes anos de 1980, ao lado de outros lavradores, colaborou na organização de delegacias sindicais. No período, considerado como um marco da retomada dos sindicais das mãos dos pelegos, concorreu e venceu as eleições do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR). Na pauta da luta, a defesa das terras contra grileiros e fazendeiros. 

Neste período foi convidado por lavradores da cidade vizinha de Acará para colaborar no enfrentamento das lutas contra grileiros. A comunidade secular abrigava 70 famílias, área de interesse de Acrino Breda, um fazendeiro natural do Espirito Santo. Benzinho somou na linha de frente junto aos posseiros em mobilização junto aos órgãos do estado paraense, lograram êxito, vindo a vencer a causa na Justiça. Por este motivo o grileiro Acrino contratou três pistoleiros com a missão em matar o sindicalista. 

Benezinho foi executado no dia 04 de julho de 1984, próximo à sede do STR e da Igreja Católica de Tomé-Açú. Os três pistoleiros então fugiram de carro, sendo seguidos por um homem, que informou a polícia. Os três foram presos no porto da balsa do município de São Domingos do Capim, numa tentativa de fuga pela rodovia Belém-Brasília, e levados para a delegacia de Tomé Açu.  

Os lavradores da região montaram vigília nas imediações da delegacia, de onde retiraram os assassinos e realizaram justiçamento, por conta de não confiarem na Justiça, tantos eram os casos de execuções de dirigentes sindicais e seus aliados, bem como de chacinas marcados pela impunidade. O fazendeiro Acrino Breda voltou para seu lugar de origem e nunca foi preso. A localidade do conflito passou a ser chamada assentamento “Benedito Alves Bandeira”, que teve sua vida ceifada quando somava apenas 37 anos, deixando sete filhos e a viúva Maria de Fátima. No dia de sua morte os lavradores colocaram uma faixa “Benezinho: o homem que morreu pelo povo”. O professor Elias Sacramento recupera parcela da trajetória da História deste combatente da reforma agrária.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *