Paulo Fonteles

Ao contrário dos advogados João Batista e Gabriel Pimenta, -o primeiro filho do estado de São Paulo, e o segundo das Minas Gerais -, o militante do PC do B, Paulo César Fonteles Lima é nascido em Belém, no seio de uma família de militantes comunistas. Em comum, todos eram advogados ligados à luta pela reforma agrária no estado do Pará.

“Os advogados do mato”, assim eram denominados por conta da defesa de camponeses e dirigentes sindicais contra a sanha do latifúndio, foram igual e brutalmente assassinados na década de 1980. Fonteles foi executado há 34 anos com três tiros na cabeça por dois pistoleiros, na cidade de Ananindeua, na região metropolitana de Belém, capital do Pará, quando somava 38 anos.

O crime ocorreu sob a luz do sol de uma manhã do dia 11 de junho de 1987.  Reportagem de Lúcio Flávio Pinto, realizada na época, esclarece que José Roberto Vasconcelos, o Betão, e Marcos Antonio Nogueira, o Marquinhos foram os pistoleiros responsáveis pela execução.

Militante comunista desde os tempos de estudante, as ações combativas no parlamento do estado e como advogado das Comissão Pastoral da Terra (CPT) na defesa de posseiros incomodavam oligarquias locais e interesses de grandes corporações do estado e fora dele. Para estes setores era urgente neutralizar o advogado dos sem terra.

O gerente da trama que desembocou na execução de Fonteles foi o ex advogado natural de São Paulo, James Sylvio de Vita Lopes. O “capitão” James, como veio a ser codinominado, abandonou o Direito para a exercer a função de “segurança” dos interesses do setor ruralista do estado e das grandes empresas, recupera Lúcio Flávio. 

O paulista sentou praça na região de Viseu, palco histórico de conflito entre a empresa Cidepar, e posseiros defendidos pelo gatilheiro Quintino.  James também defendia os interesses do Grupo Jonasa, dedicada à navegação, dirigido pelo senhor Joaquim Fonseca.

Eis um dos fios da meada da trama que redundou no assassinato de Fonteles. O crime envolve ainda a empresa Belauto, Serviço Nacional de Informação (SNI), agente da Segurança Pública do estado e a União Democrática Ruralista (UDR), o braço armado dos ruralistas. Assim narra a investigação de Pinto.

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