Romaria da Libertação

Fonte: Site do CNBB

Nomear projetos de assentamento de reforma agrária, escolas, associações, cooperativas, empreender caminhadas, erguer memoriais, a exemplo do que ocorre na Curva do S, em Eldorado do Carajás, local do Massacre de Eldorado, promover jornadas de lutas e de educação e agitar romarias, dentre outras ações são recursos usados pelo conjunto dos movimentos sociais na Amazônia em reverência à memória dos lutadores e lutadoras que foram brutalmente assassinados por defenderem a reforma agrária.

Neste sentido existe no estado do Pará um número expressivo de ações de natureza política e religiosa. Em Curionópolis e Eldorado, sudeste paraense, ocorre a caminhada em celebração da irmã Adelaide, assassinada em Eldorado, no fim dos anos de 1980. Na mesma direção ocorre em Nova Ipixuna uma celebração em memória do casal de extrativistas José Cláudio e Maria do Espírito Santo. Em Anapu, sudoeste é celebrada a Romaria da Floresta em memória da irmã Dorothy, executada na década de 2000. 

Entre Goianésia e Jacundá, também por conta da violência no processo de luta pela terra, ocorre a Romaria da Libertação. Ela resulta de uma chacina ocorrida em Goianésia, onde foram assassinados as crianças Elizabete e Elineuza, e o pai  Vicente Justo. As crianças foram queimadas.

O pai foi morto à bala, já a mãe Decimar foi violentada. Ela foi a única que escapou com vida. Os corpos das crianças foram carbonizados. O atentado foi creditado ao soldado de prenome Aragão auxiliado por dois capangas. A professora e doutora em História, Osnera Pinto é quem recupera parte da trajetória da romaria, que foi reconhecida como patrimônio imaterial do estado do Pará.    

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